| Conceituando o Estrangeiro |
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| Arquivado em: Filosofia | |||
| Escrito por lathea | |||
| Qui, 08 de Outubro de 2009 13:23 | |||
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Conceituando o Estrangeiro. Como tinha dito antes, precisava homenagear esse site, por deixar-me postar meus artigos sem interrupção ou desgastes, poupando-me de perder tempo, preenchendo fichas e cadastros cabeludos. Minha interpretação do estrangeiro começa com "Édipo em Colono", representando o estrangeiro que auto exilou-se, por causa, da tragédia que "afetou" e desordenou seus consanguíneos. Bem, é mais complicado do que isso, tratando-se de uma peça teatral, feita por encomenda, servindo aos moldes dos textos trágicos. O que pretendo, e ressaltar o termo estrangeiro, especulando o texto, e explorando intermináveis facetas desse intrigante conceito.
Édipo auto exilou-se, seu exílio não foi espontâneo, no sentido do estrangeiro moderno, que simplesmente deixa seu território, e vai tentar a vida em outro lugar. Temos os estrangeiros contemporâneos os Ticanos, Africanos, Latinos, Asiáticos, Árabes, devido a vários fatores de ordem econômica ou conflitos, em seus países de origem. Claro, cada um em seu contexto; o estrangeiro também se diferencia por elementos sócios-culturais. Para o grego tudo que vem de fora é denominado bárbaro. Isso causou uma problemática cruel para os cidadães "civilizados" das cidades gregas; o desterro passou a ser, um dos piores castigos para essa gente, devido o horror que eles tinham de povos e culturas diferentes, foi assim com os Persas, e todo povo que se designava nômade ou semi-nômade. Para Édipo o auto exílio, talvez significa-se a mesma carga trágica, em relação, aos seus atos incestuosos ou parricidas. Em Édipo, conceituando o estrangeiro, parece-me que ele seria, o mais remoto desde o fundamento da literatura ocidental. Grupo dos desterrados na literatura grega, como Ovídio, que também foi exilado por problemas políticos, sendo assim banido, pela força do estado, da cidade, e pelo poder politico vigente; Édipo por força das circunstancias, tendo conceituado o verdadeiro sentido do que é ser estrangeiro. Longe de seus amigos, parentes, costumes; essa seria a marca mais contundente a respeito do estrangeiro. Existe também, um outra forma de ser estrangeiro; uma especie de rebeldia. O sujeito que não está de acordo com costumes dá moral ou a ética de sua comunidade. O estrangeiro do escritor Albert Camu por exemplo, reflete essa frieza diante das convenções sociais, ou seja, a ordem social, os costumes cotidianos não fazem muita diferença, sejam eles morrer, viver, matar ou sentir. Ele exerce uma espécie de anti sentimento social ou patriótico. O sujeito que vive na sua rotina, mais não compactua com o contrato social. Para Camu o trabalhar é puro ato de sobrevivência, não é satisfação nem desejo, é um ato mecânico e monótono. O sujeito do Camu, está mais para o sem sentido ou, o que eu estou fazendo aqui? tudo tem um ar odioso e de irritabilidade em relação ao homem. Porque para Camu, o homem é a própria revolta. E se voltarmos a Édipo diríamos, que o homem que violou o código dá ética e dá moral consanguíneo, violou também, o código de sua cidade. Podendo ser denominado como estrangeiro aquele, que por sua vontade ou por destino, não obedeceu as leis sociais de sua cidade. "Édipo: Sou expatriado, embora não, me perguntes quem sou. Contenta-te o que sabes". "O coro, Ha, olhos mortos! Postergado em desgraça? Largos anos arrastas, vê-se. Mas, quanto a mim. Não acrescentarás a estes, novos infortúnios. Muito avançaste, muito; não caias no silencioso vale relvado onde as crateras votivas confluem correntes de linfa e de mel, destes, atormentado estrangeiro, afasta-te, não ouses tocá-los. Dilatada distância nos espera. Ouves-me, mortificado andarilho? Se conosco queres trocar palavra, sai do inviável, no território em que a lei nos ampara farás; silêncio até lá".
Ass, Lathea
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| Última atualização em Qui, 08 de Outubro de 2009 19:18 |