Lembrar-me
Filosofia
Tradução: "Antropogênese", de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Sex, 23 de Julho de 2010 00:00

Antropogênese
Giorgio Agamben

* Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa••

Tentemos enunciar sob a forma de teses o resultado provisório da nossa leitura da máquina antropológica da filosofia ocidental:
1) A antropogênese é o que resulta da cesura e da articulação entre o humano e o animal. Essa cesura passa, antes de mais nada, ao interior do homem.
2) A ontologia, ou filosofia primeira, não é uma inócua disciplina acadêmica, mas a operação em todo sentido fundamental em que se atua a antropogênese, o tornar-se humano do vivente. A metafísica é apanhada do início ao fim nessa estratégia: ela concerne, precisamente, àquela metá que completa e custodia a superação da phýsis animal em direção à história humana. Essa superação não é um evento que se cumpre de uma vez por todas, mas um acontecimento sempre em curso, que decide a cada vez, e em cada indivíduo, sobre o humano e o animal, sobre a natureza e a história, sobre a vida e a morte.
3) O ser, o mundo, o aberto não são, contudo, qualquer coisa diversa do ambiente e da vida animal: esses não são senão a interrupção e a captura da relação do vivente com seu desinibidor. O aberto não passa de uma captura do não-aberto animal. O homem suspende a sua animalidade e, desse modo, abre uma zona “livre e vazia” na qual a vida é capturada e abandonada em uma zona de exceção.
4) Mesmo porque o mundo é aberto pelo homem unicamente através da suspensão e da captura da vida animal, o ser é já sempre atravessado pelo nada, a Licthtung é já sempre Nichtung.
5) O conflito político decisivo, que governa todos os demais conflitos, é, na nossa cultura, aquele entre a animalidade e a humanidade do homem. A política ocidental é, a saber, co-originariamente biopolítica.
6) Se a máquina antropológica era o motor do devir histórico do homem, agora, o fim da filosofia e a realização das destinações epocais do ser significam que a máquina gira, hoje, em vão.
7) Dois cenários são, nesse ponto, possíveis na perspectiva de Heidegger: a) o homem pós-histórico não custodia mais a própria animalidade enquanto arcano, mas procura governá-la e tomá-la a seu cargo através da técnica; b) o homem, o pastor do ser, apropria-se da sua própria latência, da sua própria animalidade, que não resta escondida, tampouco é convertida em objeto de domínio, mas é pensada como tal, como puro abandono.


Tradução do original, em italiano, AGAMBEN, Giorgio. Antropogenesi. In: L’Aperto. Torino: Bolatti Boringhieri, 2003, p. 81-82.
•• Professor de Filosofia do Direito e Teoria do Direito, vinculado ao Departamento de Propedêutica do Direito da Faculdade de Direito do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA); Professor do Curso de Direito do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Fundação de Estudos Sociais do Paraná (CCSA/FESP-PR). Mestre em Filosofia e Teoria do Direito pelo Curso de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (CPGD/UFSC). Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (FD/UFPR).

Última atualização em Sex, 23 de Julho de 2010 15:04
 
Pierre Hadot (1922-2010) PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Bernardo Rieux   
Ter, 27 de Abril de 2010 15:57

Faleceu ontem o filósofo francês Pierre Hadot, especialista em filosofia antiga.

Um de seus últimos textos, dedicado a Marco Aurélio, chamava a atenção à possibilidade de, para além de posições despóticas ou reduções do papel público aos desígnios privados, a filosofia tornar possível um "cidadão do mundo". Idéia semelhante a uma frase de Bergson, que orientou Hadot desde o início de seu percurso filosófico:

La philosophie n'est pas une construction de système, mais la résolution une fois prise de regarder naïvement en soi et autour de soi

Informes: Le Monde, NouvelObs, PhiloMag. Página sobre Hadot no Collège de France.

Última atualização em Ter, 27 de Abril de 2010 17:04
 
Kostas Axelos (1924-2010) PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Bernardo Rieux   
Seg, 08 de Fevereiro de 2010 23:17

Faleceu dia 4 de fevereiro o filósofo grego Kostas Axelos, autor de diversos livros sobre Heidegger e Marx. Em 1964, Gilles Deleuze escreveu:

Kosta Axelos (...) tem uma formação dupla, marxista e heideggeriana. E mais, a força e inspiração de um grego, sutil ou sábio. Ele censura seus mestres por não haverem rompido suficientemente com a metafísica, por não terem concebido suficientemente as potências de uma técnica ao mesmo tempo real e imaginária, por serem ainda prisioneiros das perspectivas que eles mesmos denunciavam.

Diante dos "mestres", Axelos ofereceria uma "filosofia nova" em livros como Vers la pensée planétaire, Marx penseur de la technique e Heráclito e a Filosofia (Cf. link acima). Há um escrito em edição brasileira, intitulado Horizontes do Mundo. Mais informes:

- Paris: Greek Philosopher Axelos dies

- Kostas Axelos, horizon ultime

- Death of noted philosopher Kostas Axelos

- Kostas Axelos, penseur du “Jeu du monde” (Le Monde, 22/4/1977)

- Wiki em ingles e francês (com referencias)

 
Ao mestre com carinho.,, PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por lathea   
Qua, 04 de Novembro de 2009 06:19

“Ao mestre com carinho, Claude Lévi-Strauss”.

Quando pelo os corredores de certo pátio, ouvi falar; tal de Lévi-Strauss, não tinha me dado conta, que a historia da antropologia mudaria seu rumo para sempre. Foi quando li o tal Leví-Strauss, o mundo se abriu em mil possibilidades. Estive engajado na geração Strauss, quando no fervor das grandes questões e circunstâncias, seu nome era citado.

Claude Lévi-strauss, não é só uma referência antropológica, é um mito do meu tempo, o gênio da epistemologia. Junto com Foucault, Strauss é um símbolo da ruptura da ciência tradicional, partindo para a modernidade. Tem uma teoria que eu nunca esqueci, sabe aquele pensamento, citação, que agente lê, e na mesma hora, a coisa fica gravada na cabeça? Foi isso que aconteceu comigo, em relação a Lévi-Strauss.

Sempre em bares e festas e corredores, ocorria-me essa teoria do Mestre: a civilização não evoluiu como dizem os cientistas positivistas do século passado, ou seja, como uma linha reta, gradualmente de ponto a ponto. O mestre dizia; a civilização evolui feito um cavalo, referindo-se ao jogo de xadrez. A evolução não é uma subida ininterrupta, a evolução se dá em várias direções; para frente, para trás, para o lado, nunca tem uma retidão exata. Nem um código universal. O que para um índio é um traço de tecnologia avançada, para nós, não passa de bugiganga.

Outro dia vi uma matéria sobre moedores de farinha de mandioca, vi coisas desde o tempo remoto até, fábricas especializadas em farinha de mandioca. Do pilão a até as moderníssimas maquinarias que fazem o trabalho em grande escala, gerando muitos empregos.

Aprendi isso com o Mestre Lévi-Strauss. Sem ele, seria difícil conceituar essas coisas, ter uma idéia clara sobre essas questões. Hoje, adoro os selvagens, por causa do livro “O Pensamento Selvagem”. Gênios assim, deveriam viver para sempre. É uma perda não só humana, mais também, uma perda das idéias, da inteligência, da ciência e da observação.

O pai da antropologia moderna, o estruturalista arrojado, nos deixa esse legado. Para que nunca haja desrespeito em relação aos nossos ancestrais, nossa cultura, nossa identidade.

Ass, Lathea

Última atualização em Qua, 04 de Novembro de 2009 11:47
 
Conceituando o Estrangeiro PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por lathea   
Qui, 08 de Outubro de 2009 13:23

Conceituando o Estrangeiro.

Como tinha dito antes, precisava homenagear esse site, por deixar-me postar meus artigos sem interrupção ou desgastes, poupando-me de perder tempo, preenchendo fichas e cadastros cabeludos.

Minha interpretação do estrangeiro começa com "Édipo em Colono", representando o estrangeiro que auto exilou-se, por causa, da tragédia que "afetou" e desordenou seus consanguíneos. Bem, é mais complicado do que isso, tratando-se de uma peça teatral, feita por encomenda, servindo aos moldes dos textos trágicos. O que pretendo, e ressaltar o termo estrangeiro, especulando o texto, e explorando intermináveis facetas desse intrigante conceito.

Última atualização em Qui, 08 de Outubro de 2009 19:18
 
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 Próximo > Fim >>

Página 1 de 6
2010. :: O Estrangeiro ::. Desenvolvimento: Denise de Camargo e Marcio Miotto.